Resultado Pesquisa Escalada Esportiva

Semanas atrás uma pesquisa sobre Escalada esta sendo realizada para termos uma noção de quantos somos, finalizada essa pesquisa, o grande Neudson do Blog Desce daí, doido! , analisou os numero e escreveu esse belo artigo!

No último mês rolou na internet uma pesquisa sobre a escalada esportiva de competição no Brasil, com vistas a tentar entender melhor quem são e onde estão os atletas de escalada hoje no país. Essa pesquisa veio em bom tempo, já que estamos num processo de reestruturação das competições nacionais, que em 2013 não tiveram uma única etapa. Depois de muito bate-boca, discussões e conversas mais sensatas, alguns escaladores brasileiros estão começando a se organizar para tocar pra frente o calendário de competições de 2014, e um desses ajudando é o Raphael Nishimura, que foi quem montou a pesquisa que se encerrou ontem. Eu solicitei a ele os dados para escrever esse post analisando os resultados. Bem, vamos a eles?

O primeiro número a falar é a adesão à pesquisa. Obviamente que não se sabe ao certo a quantidade de escaladores hoje no Brasil. Estima-se algo em torno de 20 mil praticantes. A pesquisa teve um total de 1016 respostas, algumas em branco, outras duplicadas, mas rompeu a barreira das mil respostas viáveis. O número pode ser considerado pequeno, mas temos que levar em consideração que nem todo mundo usa o Facebook, que foi o principal meio de divulgação da pesquisa. Também tem o fato das pesquisa ter sido batizada de “Pesquisa Escalada Esportiva”, o que com certeza fez com que os escaladores predominantemente tradicionais não respondessem, o que diminui a participação. De qualquer forma, mil respostas é um bom universo amostral e já é suficiente para fazer algumas considerações.

Primeiro vamos ao perfil do escalador esportivo brasileiro. Segundo a pesquisa, a grande maioria dos escaladores esportivos hoje no Brasil tem entre 21 e 35 anos de idade. Essa faixa etária representa 77% do total de escaladores. Os jovens entre 26 e 30 são os mais númerosos, somando 31,3% do total, com os entre 21 a 25 somando 22,4% e os entre 31 e 35, 19,4%. Os mais novos responderam a pesquisa também. Foram 69 adolescentes entre 16 e 20 anos respondendo a pesquisa, somando 7% do total de praticantes, e 15 respostas de crianças e adolescentes entre 10 e 15 anos.

Distribuição por idade

Geograficamente os escaladores brasileiros estão distribuídos como sempre se soube. A grande maioria está concentrada no sul e sudeste. Esmagadores 86% dos que responderam a pesquisa moram em uma dessas duas regiões. A pesquisa quis saber também quais as modalidades praticadas pelos escaladores. A escalada esportiva é praticada por 82% dos que responderam a pesquisa. Outros 65,6% responderam que praticam boulder; 70% escalada indoor; 49,5% que praticam escalada tradicional; e 12% que praticam psicobloc. Isso coloca obviamente a escalada esportiva como a mais popular entre os que responderam a pesquisa, e também mostra que no geral, o escalador brasileiro é bem versátil, escalando de tudo um pouco.

Distribuição regional

Qual modalidade de escalada você pratica?

Uma pergunta crucial feita na pesquisa foi se a pessoa estava ou não filiada a algum clube ou associação. A maioria dos que responderam respondeu negativamente. 54% das respostas disseram não estar filiadas a nenhuma entidade que representa a escalada no Brasil. Esse número também confirma algo que já se suspeitava: a maioria dos escaladores brasileiros não têm interesse em se filiar a clubes e associações de escalada/montanhismo. O interessante é que quando perguntados se estariam dispostos a se filiar a uma entidade voltada somente para a escalada de competição, 77% responderam que se filiariam.

Filiado a entidade de escalada (associação ou clube)?

Caso seja criada uma Associação de Escalada Esportiva Brasil, voce teria a intenção de se filiar?

Esse número foi bastante intrigante. Embora não se tenha perguntado os motivos de 54% dos escaladores não serem filiados, esse número alto de intenção de se filiar a uma nova entidade parece apontar para uma provável falta de identificação desses escaladores com as entidades que existem hoje. Se considerarmos que esses 77% que responderam sim realmente se filiassem, teríamos um total de 726 escaladores filiados diretamente a uma entidade de escalada. Não parece muito, mas se formos olhar os números de entidades semelhantes, como USA Climbing, entidade que promove as competições nos Estados Unidos (e que competições!), não seria um número tão ruim assim, dada a realidade brasileira. O USA Climbing, segundo dados do seu anuário 2011/2012, tinha pouco mais de 3500 associados durante esse período, entre atletas, treinadores, route setters e apoiadores. Se formos considerar que os Estados Unidos deve ter, por baixo, 10 vezes mais escaladores que o Brasil, até uma entidade com 350 escaladores filiados diretamente estaria bem representada por aqui.

Ainda ligado a filiação, a pesquisa perguntou qual seria o valor que os escaladores estariam dispostos a pagar de anuidade de uma nova entidade voltada para as competições. A grande maioria, 58%, disse que seria até R$80,00, 28% disseram que pagariam até R$120, enquanto uma minoria estaria disposta a pagar valores mais altos do que isso. Admito que achei o pessoal um pouco “mão de vaca” nesse quesito, já que R$80,00 não dá nem R$10,00 por mês. Mas mais uma vez olhando para a realidade norte-americana, talvez não sejamos os únicos pão-duros nesse quesito. O USA Climbing cobra exatamente $80 doláres pela taxa de registro anual de seus membros, que os permite competir nos eventos promovidos pela entidade no âmbito regional e nacional. Claro, eles tem mais atletas, acabam ganhando no volume, mas não adianta colocar uma anuidade que ninguém vai pagar, e os números dessa pesquisa pelo menos dão um norte de quanto cobrar por uma anuidade de um entidade nacional, ou por uma taxa de registro anual.

Valor da anuidade?

Agora a parte mais importante da pesquisa foi realmente a voltada para as competições. A pesquisa quis saber quantos escaladores tem interesse em participar de competições, em qual modalidade e em que âmbito. 412 escaladores, 43% dos que responderam a pesquisa, disseram que tem interesse em participar de competições. Destes, 94% (384 respostas) disseram que gostariam de participar de competições regionais, 59% (244 respostas) mostraram interesse em participar de competições nacionais, e impressionantes 25% (104 respostas) disseram que tem interesse em competir internacionalmente. No quesito modalidade, 82% dos que querem competir (339 respostas), disseram querer competir na modalidade boulder. Outros 70% (288 respostas) que querem competir na modalidade dificuldade, e 15% (62 respostas) responderam que querem competir na modalidade velocidade.

Pretende participar de competições de escalada?

Em que âmbito?

Qual modalidade?

Achei bastante positivos os números. Temos ai dentro de um universo amostral de apenas mil escaladores, 244 dispostos a participar de competições nacionais, um número que renderia claramente um belo campeonato brasileiro. Obviamente que nem todos estes estariam competindo juntos, e o mais provável é que a média de adesão para uma competição nacional, com base nesse interesse, ficasse entre 100 e 150 atletas. Esse número é bem dentro do resultado do último campeonato brasileiro de boulder em 2012, que teve inscrição de mais de 130 atletas na sua última etapa em Belo Horizonte, e números parecidos nas outras etapas.

Os números também mostram uma predileção maior pelo boulder do que pela dificuldade, o que pode explicar em parte o esvaziamento das competições de dificuldade nos últimos anos, mas não explica completamente. Segundo a pesquisa, os interessados em participar de competições nacionais de dificuldade somam um total de 177 atletas, número que com certeza poderia garantir competições com cerca de 80 atletas inscritos, o que não é um número pequeno para a realidade brasileira. Então onde estão esses atletas na competições de dificuldade? É uma pergunta ainda a se responder.

Agora vamos conjecturar um pouco. Imaginemos que seja realmente criada uma nova entidade responsável pelas competições no Brasil, ou apenas que seja criada uma taxa de registro anual para competições na CBME, independente da pessoa ser filiada ou não a algum clube/associação. Imaginemos que aqueles 244 que disseram ter interesse em participar de competições nacionais, realmente se filiassem ou pagassem a taxa de registro anual, no maior valor que a maioria estaria disposta a pagar, no caso R$80,00. O valor arrecadado ficaria na casa dos R$19.000,00. Com esse valor seria mais do que suficiente para se pagar a taxa de filiação ao IFSC, hoje na casa dos 2.000 Euros (algo em torno de R$ 6.000) e ainda sobraria uma boa ponta de mais de R$12.000,00. Dá pra fazer uma competição nacional com isso? Não, não dá. Ainda é pouco. Mas vamos somar a esse valor, as inscrições para as competições. Digamos, R$50,00 a inscrição por uma etapa do Brasileiro, valor que não considero alto. Vamos considerar que tivéssemos 2 etapas de boulder e 2 etapas de dificuldade. Pelos números vimos que as competições de boulder tem potencial para até 150 atletas, fiquemos com 120 para sermos mais “realistas”. E vamos dizer que as de dificuldade tenham a média de 80 atletas. Só de inscrições teríamos um total de R$23.000,00. Somando aos R$12.000 que sobrou, temos ai R$35.000,00. Ainda não é suficiente para fazer 4 etapas de um campeonato brasileiro, mas e se fizéssemos apenas duas etapas, mas com as competições de boulder e dificuldade acontecendo no mesmo evento? A coisa já melhora um pouco. Ainda temos ai os patrocínios para captar, e os apoios para buscar, que ajudam a diminuir os custos.

Claro que tudo isso foram apenas mera suposições criadas em cimas de números que podem nem vir a se tornar reais. Mas creio que nossa realidade hoje consegue abarcar competições nacionais bem organizadas e com boa adesão dos atletas, que segundo os números, existem e querem competir. O próximo passo agora talvez seja descobrir que tipo de competições esses atletas querem. O que atrai um atleta para uma competição? Organização? Estrutura? Prêmio? Talvez seja interessante ai uma nova pesquisa, mais focada, para tentar descobrir o modelo de competição que vai atrair mais atletas e quem sabe transformar aqueles números em realidade.

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Sobre escalango

Um escalador muito feliz!
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