A essência da escalada

O texto abaixo resume exatamente o que eu busco na escalada, dentre todas motivações que tenho, promover a escalada e mostrar que  é possível sim qualquer pessoa escalar!

Concordo que assistir as “feras” escalando é bom(eu assisto todos!) , mas para os leigos que querem conhecer o esporte, pouco importa o grau da via, afinal, a grande essência da escalada é subir! ou não? Os conquistadores das vias esquecem que começaram a escalar num 4 grau e quando abrem uma via nesse grau, esquecem das dificuldades de quando começaram e fazem as vias baseadas no nível atual deles e acabam colocando os iniciantes a um risco desnecessário.

Mas é isso a  escalada esta evoluindo aos poucos e cada um com teu espaço! Talvez seja a hora de produzirem vídeos educativos que expliquem a escalada, mostre a segurança, os princípios, a ética ou seja tudo o que conhecemos, mas que o publico de não escaladores desconhecem.

“Mas é difícil demais!”. “Vocês fazem muita força!”. “Tem que ter muita força nos braços, né?”. “Não consigo nem fazer uma barra”. “Eu não consigo mandar nem
um V0!!!”. “É muito perigoso!”. “Acho que isso não é pra mim…”.
Quantas vezes você, escaladora ou escalador, já ouviu tais afirmativas/indagações quando relatou a algum conhecido (leigo no esporte) que pratica escalada? Aposto que centenas. E eu não acho que seu conhecido seja tão leigo assim quando refere-se à escalada como um universo onde predominam a força bruta, as barras de um braço e os solos mais desafiadores. Afinal, é o que mais se reproduz, ou ao menos é o que mais recebe audiência e aceitação, na mídia que nos retrata: V16’s, 12C’s, Chris Sharma, Adam Ondra, Ashima, Magnus Midtboe, Alex Puccio, Alex Honnold,
Dean Potter. Não sou contra essa espetacularização da escalada. Quem não se motiva, sua as mãos, fica na pilha assistindo, por exemplo, ao último Reel Rock Tour; às bizarrices cada vez mais impossíveis do Ondra; aos solos cada vez mais insanos de Honnold? Confesso, minhas mãos pingam!
No entanto, acho um tanto empobrecedor e autoritário definir a escalada apenas por essa vertente. Porque, assim, a negamos a diversas outras camadas que têm impossibilidades práticas de alcançar tais ideais: idosos, crianças, portadores de necessidades especiais, pessoas que tenham algum tipo de fraqueza muscular ou óssea, aqueles que têm medo de altura, os que estão acima do peso, etc.
Daí a importância, ressalto, de algumas ações de amigos escaladores: é formidável acompanhar Raphael Nishimura escalando e batalhando pelo acesso dos portadores de necessidades especiais ao esporte (http://www.facebook.com/ParaClimbingBrasil). Rafael Passos, um dos escaladores mais fortes do cenário atual e maior conquistador de boulder do Brasil, relatou recentemente que abriu uma via de nível fácil no Belchior-GO, pico de escalada esportiva que situa-se próximo a Brasília. Nas palavras de Rafinha, “Parece até ridícula a ideia da ter via assim, mas qnd vc sentir o prazer de ver um idoso, uma criancinha ou um portador de necessidades especiais escalando e descendo da rocha com o sorriso de orelha a orelha, aí vc vai entender o q está acontecendo!!! (…) Escalar décimo grau é fácil, proporcionar escalada para todos e saber a importância disso, é pra poucos!!!”. Já alguns escaladores de Minas Gerais, destaco Luca Diniz que me contou da ideia, estão propondo a graduação francesa para a abertura de novos boulders, uma vez que, em comparação com a estadunidense, possibilita uma maior variedade de graus do V0 ao V5, tornando mais fácil para aquele que malha dentro deste escopo diferenciar os graus que escala e perceber sua evolução mais sensivelmente. Este é um ponto complicado dessa modalidade de escalada. Muitos reclamam que dentro do V0 estão abarcados boulders de dificuldades muito diferentes, não raro alguns que exigem demasiada força. É algo que os conquistadores devem levar em conta – a “massificação” do V0 é fator de grande desmotivação para aqueles que escalam problemas de menor dificuldade. Talvez a graduação francesa seja mais adequada nessa diferenciação.
Em resumo, e para terminar, o que proponho é que não desvalorizemos QUALQUER subida ou tentativa de subida de pedra; que apoiemos e procuremos orientar QUALQUER um que venha a nós com interesse em escalar. Mas, para isso, devemos mudar a nossa concepção do “escalador” e do que é “escalável”. E se você me pergunta o por quê de estender um dos maiores prazeres que se pode alcançar nessa vida ao maior número, variedade e classe possível de pessoas, eu lhe devolvo outra pergunta: por que não?

Lucas Castor
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Foto: Bella (7) em seu primeiro contato com a rocha, por Gabriel Oliveira

Mais em http://www.pedravivaescalada.com

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Sobre escalango

Um escalador muito feliz!
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